sábado, 20 de junho de 2020

TELHADOS JAPONESES





Como notou Junichiro Tanizaki, o grande escritor japonês:

“Se o telhado japonês é um guarda-sol, o ocidental é apenas um chapelinho. Melhor, como num boné, os rebordos estão reduzidos a tão pouca coisa que os raios diretos do sol podem incidir nas paredes até ao nível do telhado.”


Ainda por cima, além do longo telhado, a existência de um grande beiral e de uma varanda, já para não falar do filtro dos shoji (divisórias com aberturas cobertas com papel de arroz) permitem que apenas um pálido reflexo da luz do jardim penetre no interior. Tal espelha bem o gosto japonês pela sombra, pelos ambientes velados e a sua profunda repulsa pelo brilho vulgar.


A penumbra, ténue e incerta, os japoneses sabem-no bem, tem um encanto sutil e discreto:


“Não é que tenhamos uma reserva a priori relativamente a tudo o que brilha, mas, a um brilho superficial e gelado, preferimos sempre os reflexos profundos, um pouco velados.” (Junichiro Tanizaki)


Recordemos, a propósito, a diferença entre o papel de arroz, com a sua leve rugosidade, as suas nuances de cor, as suas zonas opacas e o nosso papel, que rebrilha com um branco metálico e sem mácula, como que traindo essa obsessão, tão ocidental e por vezes tão perigosa, pela “pureza”.

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